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Legal ops: o que é e como organizar a operação de uma sociedade de advogados

O que é legal ops (legal operations), que áreas cobre, como se aplica a sociedades e departamentos jurídicos em Portugal e por onde começar sem equipa própria.

Por TogaTech · Atualizado a

Em resumo.

  • Legal ops (legal operations) é a disciplina de gerir a advocacia como uma operação: processos de trabalho, tecnologia, dados, custos e pessoas, para que os advogados passem o tempo no que só eles podem fazer.
  • Nasceu nos departamentos jurídicos de grandes empresas, mas aplica-se a qualquer sociedade de advogados que queira saber onde se perdem horas e porquê.
  • Não começa por comprar software. Começa por mapear como o trabalho corre hoje, medir o que se repete e decidir o que passa para automação e o que continua com o advogado.
  • Numa sociedade pequena ou média, legal ops raramente é uma equipa: é um sócio responsável, um método e alguns projetos curtos com objetivos claros.

O que é legal ops?

Legal ops, abreviatura de legal operations, é o conjunto de práticas que trata a parte não jurídica do trabalho jurídico: como os pedidos entram, como são distribuídos, que ferramentas se usam, quanto custa cada tipo de trabalho, que informação se regista e como se mede o que corre bem e mal. A pergunta de fundo é simples: o que é que os advogados fazem todas as semanas que não precisava de ser feito por um advogado?

O termo vem dos departamentos jurídicos de grandes empresas, onde o diretor jurídico tem de justificar orçamento e escolher escritórios externos. Nas sociedades de advogados a mesma lógica aparece com outros nomes: gestão do escritório, organização interna, eficiência. Ver também a definição curta de legal ops no glossário.

Que áreas cobre o legal ops?

ÁreaO que incluiExemplo numa sociedade portuguesa
Processos de trabalhoComo um assunto entra, é aceite, distribuído e fechadoA abertura de processo com verificação de conflitos
TecnologiaQue ferramentas se usam e como se ligam entre siEmail, gestão documental, faturação e CRM jurídico a falar entre si
Dados e métricasO que se regista e o que se consegue saber a partir dissoHoras por processo, avenças consumidas, prazos cumpridos
Gestão financeiraOrçamentos, honorários, faturação e cobrançaFaturação a partir das horas registadas, comunicada ao e-fatura
ConhecimentoModelos, minutas e precedentes da casaBiblioteca de modelos com cláusulas condicionais
Risco e conformidadeRegras internas, RGPD, regras deontológicas da Ordem dos AdvogadosQuem acede a que processos e durante quanto tempo se guardam os dados

Nenhuma sociedade precisa de atacar as seis ao mesmo tempo. O habitual é escolher a área onde a dor é mais visível, quase sempre a entrada de trabalho ou a faturação, e começar por aí.

Legal ops numa sociedade é igual a num departamento jurídico?

Os métodos são os mesmos, os objetivos mudam. Num departamento jurídico de empresa, legal ops serve sobretudo para controlar custos, gerir pedidos internos das outras áreas da empresa e escolher e acompanhar escritórios externos. Numa sociedade de advogados, serve para proteger a margem: cada hora gasta em trabalho mecânico é uma hora que não se fatura ou que se fatura a um cliente que não a quer pagar.

Há uma diferença prática importante: numa sociedade o trabalho é muito marcado pelos tribunais. As notificações chegam pelo Citius, os prazos correm segundo o CPC e as férias judiciais, e o Citius não mostra os prazos já calculados. Uma boa operação tem de tratar isto como um fluxo: a notificação entra, alguém (ou algo) calcula o prazo, o prazo fica com um responsável e um aviso. É disto que trata a gestão de processos para advogados.

Por onde começar sem contratar uma equipa de legal ops?

  1. Nomear um responsável. Um sócio ou um gestor do escritório com tempo reservado, não uma tarefa de quem sobrar.
  2. Mapear um fluxo. Escolher um processo de trabalho que se repete (abertura de processo, faturação mensal, preparação de minutas) e descrever passo a passo quem faz o quê, em que aplicação e quantas vezes por semana. É o mapeamento de processos.
  3. Identificar os requisitos. Separar o que é mecânico do que é decisão do advogado, e perceber que aplicações têm de falar entre si.
  4. Implementar uma melhoria pequena. Uma automação, um modelo, uma integração. Testar com casos reais antes de mudar o dia-a-dia da equipa.
  5. Medir e repetir. Comparar com o que se fazia antes e passar ao fluxo seguinte.

Legal ops não é um projeto com fim. É o hábito de olhar para a forma como o escritório trabalha com a mesma atenção com que se olha para um processo de um cliente.

Que papel tem a tecnologia no legal ops?

A tecnologia é a ferramenta, não o ponto de partida. Os erros mais comuns vêm de comprar software antes de saber que problema resolve: uma plataforma nova que ninguém preenche, uma ferramenta de IA que não está ligada aos documentos do escritório, uma folha de cálculo que continua a existir ao lado de tudo.

  • [Automação jurídica](/automacao-juridica) para o trabalho repetitivo: abertura de processo, minutas, triagem de correio, relatórios.
  • [Integrações](/integracoes-para-escritorios-de-advogados) para os dados entrarem uma vez e chegarem a todo o lado.
  • IA generativa para ler, resumir e extrair dados de documentos, sempre com revisão humana.
  • Um sítio único para clientes, processos e prazos, seja um CRM, um software de gestão de processos ou os dois ligados.

Com o regulamento europeu da IA (AI Act) e o RGPD, faz parte do trabalho de legal ops saber que ferramentas tratam que dados e onde. Não é uma questão técnica, é uma decisão de gestão.

Como se mede se o legal ops está a funcionar?

Com poucas medidas, escolhidas antes de mudar alguma coisa. Sem um ponto de partida não há forma de saber se melhorou. Exemplos de medidas que um escritório consegue tirar do que já regista:

  • Tempo entre o primeiro contacto de um cliente e o processo aberto.
  • Horas registadas por tipo de processo, comparadas com o que foi faturado.
  • Avenças: horas consumidas face ao que está incluído.
  • Prazos cumpridos com folga, em cima da data ou falhados.
  • Quantas vezes o mesmo dado é escrito à mão em sistemas diferentes.

Perguntas frequentes.

Legal ops é o mesmo que legaltech?

Não. Legaltech é a tecnologia feita para o setor jurídico. Legal ops é a forma de gerir a operação de um escritório ou departamento, e usa legaltech como uma das ferramentas, ao lado de processos de trabalho, dados e pessoas.

Uma sociedade pequena precisa de legal ops?

Precisa da prática, não do cargo. Numa sociedade pequena basta um sócio que olhe para a forma como o trabalho corre, escolha um fluxo de cada vez e o melhore. O nome importa pouco.

Qual é o primeiro processo a otimizar?

O que se repete mais e dói mais. Na maioria dos escritórios é a abertura de processo (dados do cliente, conflitos, pasta, ficha) ou a faturação mensal a partir das horas e das avenças.

É preciso trocar o software que o escritório já usa?

Normalmente não. Grande parte do ganho vem de ligar as ferramentas que já existem para que os dados não sejam copiados à mão de umas para as outras.

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