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Automação jurídica: o que é e o que se automatiza num escritório de advogados

Guia prático de automação jurídica para sociedades e escritórios de advogados em Portugal: o que é, que tarefas se automatizam, que tipos de ferramentas existem, o que deve continuar a ser decisão do advogado e como começar por um processo pequeno.

Por TogaTech · Atualizado a

Em resumo

  • Automação jurídica é pôr software, e quando faz sentido inteligência artificial, a executar o trabalho repetitivo à volta da advocacia: abrir processos, preencher minutas, triar correio, montar relatórios. A decisão jurídica continua a ser do advogado.
  • Automatiza-se melhor o que é repetitivo, digital e feito à mão todas as semanas.
  • Há três famílias de ferramentas: automação de documentos, automação de fluxos de trabalho e IA aplicada a texto. A maior parte do ganho vem de as ligar ao que o escritório já usa, e não de comprar mais uma aplicação.
  • Começa-se por mapear um processo pequeno, identificar os requisitos, implementar, testar com casos reais e só depois alargar.

O que é a automação jurídica?

Automação jurídica é o uso de software para executar, sem intervenção manual, as tarefas que se repetem em cada processo de um escritório de advogados. Não é a máquina a fazer de advogado. É a máquina a tratar do trabalho mecânico que rodeia a decisão: reescrever os dados do cliente em três sistemas, procurar um nome numa folha de cálculo, copiar uma minuta antiga e trocar os nomes à mão, reencaminhar um email para quem trata do assunto.

Na prática, uma automação é um fluxo com princípio e fim. Alguma coisa o dispara (chega um email, alguém submete um formulário, um processo muda de fase), o fluxo executa uma sequência de passos e, nos pontos em que é precisa uma decisão, pára e entrega-a a uma pessoa. O advogado deixa de fazer o trabalho à volta da decisão e fica só com a decisão.

O que se pode automatizar num escritório de advogados?

TarefaComo se faz hojeComo fica automatizadoO que continua com o advogado
Abertura de processoOs dados do cliente são reescritos em vários sistemasUm formulário alimenta a ficha, a pasta e a faturaçãoAceitar o cliente
Conflitos de interesseProcura de nomes em folhas de cálculo e emails antigosPesquisa automática nas bases do escritório, com o resultado pronto para revisãoDecidir se há conflito
Minutas e documentosCopia-se um documento antigo e substitui-se à mãoO modelo da casa é preenchido com os dados do processoRever e assinar
Triagem de correioAlguém lê tudo e reencaminhaClassificação e encaminhamento para o processo e a equipa certosResponder
Prazos e avisosAgenda pessoal e memóriaAvisos internos com responsável atribuídoPraticar o ato
Horas, avenças e relatóriosFolhas de cálculo montadas no fim do mêsRelatório gerado a partir do que já está registadoValidar e faturar

Regra prática: se é repetitivo, é digital e alguém o faz à mão todas as semanas, provavelmente automatiza-se.

O que não se deve automatizar?

  • A decisão jurídica e a estratégia. Uma automação pode preparar tudo o que o advogado precisa para decidir. Não decide por ele.
  • A relação com o cliente. Pode automatizar-se o aviso de que chegou um documento. A conversa difícil não.
  • Tarefas raras. O que acontece duas vezes por ano custa mais a automatizar do que a fazer.
  • Processos que ainda mudam todos os meses. Primeiro estabiliza-se a forma de trabalhar, depois automatiza-se. Automatizar o caos só o torna mais rápido.

Que ferramentas de automação jurídica existem?

Falar de "ferramentas de automação jurídica" mistura coisas muito diferentes. Vale a pena separá-las pelo que cada uma resolve.

Tipo de ferramentaPara que serveLimite
Automação de documentosPreencher modelos com dados estruturados: minutas, contratos-tipo, cartasExige modelos arrumados e campos bem definidos
Automação de fluxos de trabalhoEncadear passos entre aplicações: formulário, email, pasta, avisoDepende das ligações que cada aplicação permite
IA aplicada a textoResumir, classificar, extrair dados, redigir uma primeira versãoO resultado precisa de revisão humana
Reconhecimento de texto (OCR)Tornar pesquisáveis os documentos digitalizadosA qualidade depende da digitalização
Integrações por APIPôr dois sistemas a trocar dados sem cópia manualSó funciona se os sistemas tiverem API

A maior parte do ganho não vem de uma ferramenta isolada. Vem de ligar estas peças às aplicações que o escritório já usa, para que os dados entrem uma vez e cheguem a todo o lado. Há mais sobre isto no guia de integrações para escritórios de advogados e no de automação de documentos jurídicos.

Automação, inteligência artificial e RPA são a mesma coisa?

Não. Automação clássica segue regras: se chegar um formulário, cria a pasta. É previsível e é onde se deve começar. IA generativa trabalha sobre texto livre, que é o que um escritório mais produz: lê um email e diz de que processo é, resume um contrato, propõe a primeira versão de uma cláusula. É útil exatamente onde as regras não chegam, e por isso mesmo o que produz tem de ser revisto. RPA (robôs de software) imita os cliques de uma pessoa numa aplicação que não tem API. Resolve casos sem alternativa, mas parte-se quando o ecrã muda.

Um bom projeto usa as três na proporção certa: regras para o que é regra, IA para o texto, e RPA só como último recurso.

Como começar a automatizar um escritório?

  1. Mapear os processos. Desenhar como o trabalho corre hoje: quem faz o quê, em que aplicação e quantas vezes.
  2. Identificar os requisitos. Separar o que é mecânico, e pode passar para automação e IA, do que tem de continuar a ser decisão do advogado. Ver que aplicações têm de falar entre si.
  3. Implementar a solução. Construir sobre as ferramentas que o escritório já usa, sem pedir a ninguém para trocar de software, e testar com casos reais lado a lado com a equipa antes de entrar no dia-a-dia.

O erro mais caro é começar grande. Escolhe-se um processo pequeno e bem delimitado, prova-se o valor e cresce-se a partir daí. É assim que a TogaTech aborda cada projeto.

Quanto custa a automação jurídica?

Depende do que se automatiza, e não há um preço de tabela honesto. O que faz variar o custo é o número de passos do processo, o número de aplicações que é preciso ligar, o estado dos modelos de documentos (arrumados ou espalhados por pastas pessoais) e o volume. Um fluxo de abertura de processo numa sociedade com três áreas de prática não custa o mesmo que o preenchimento de uma procuração.

Na TogaTech o trabalho é por projeto. Começa por uma demonstração e um diagnóstico gratuitos, de onde sai uma proposta com âmbito e orçamento claros para o primeiro processo.

Que erros são mais comuns?

  • Comprar uma aplicação nova antes de perceber como o trabalho corre hoje.
  • Automatizar um processo que ninguém desenhou: cada pessoa faz de maneira diferente e a automação só serve uma delas.
  • Pôr IA onde bastava uma regra, e uma regra onde era precisa uma pessoa.
  • Não definir quem é dono de cada passo: o que corre sozinho, o que espera por aprovação e de quem.
  • Medir o sucesso pela tecnologia instalada, e não pelas horas que deixaram de se gastar.

FAQ

Perguntas frequentes

A automação jurídica substitui advogados?

Não. Substitui o trabalho mecânico à volta da advocacia: reescrever dados, procurar informação, preencher modelos, reencaminhar correio. A decisão jurídica, a estratégia e a relação com o cliente continuam a ser do advogado. Um fluxo bem desenhado pára exatamente nos pontos em que é precisa uma decisão e entrega-a a uma pessoa.

É preciso trocar o software do escritório para automatizar?

Na maior parte dos casos, não. A automação constrói-se à volta das aplicações que o escritório já usa (email, gestão documental, faturação, folhas de cálculo), ligando-as entre si. Trocar de software só faz sentido quando uma aplicação não permite nenhuma forma de ligação.

A automação serve para escritórios pequenos?

Serve, desde que haja trabalho repetitivo. O que decide não é o tamanho do escritório, é a frequência da tarefa: um escritório de três pessoas que abre dez processos por semana ganha mais com a automação da abertura de processo do que uma sociedade grande que o faz raramente.

Que diferença há entre contratar uma agência de automação com IA e comprar um software?

Um software de prateleira traz uma forma de trabalhar e o escritório adapta-se a ela. Uma agência de automação faz o contrário: parte de como o escritório já trabalha e constrói à medida, ligando as ferramentas existentes. O software é mais rápido de adotar quando o processo é comum. O trabalho à medida compensa quando o processo é específico da casa ou atravessa várias aplicações.

Quanto tempo demora a ver resultados?

Depende do processo escolhido, e é por isso que se começa por um processo pequeno e bem delimitado: o resultado vê-se assim que entra em uso. Projetos que tentam automatizar o escritório inteiro de uma vez demoram mais e falham mais.

Por onde começa um projeto com a TogaTech?

Por uma demonstração gratuita e sem compromisso. Ouvimos como o escritório trabalha, identificamos onde se perde mais tempo e propomos o primeiro processo a automatizar, com âmbito e orçamento claros.

Quer ver isto a funcionar com os processos da sua sociedade?

Mostramos como trabalhamos e o que faria sentido automatizar primeiro. Demonstração gratuita e sem compromisso.

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